Levantamento do Grupo de Modelagem Epidemiológica também apontou que a macrorregião Sudeste registrou mais de 2.100 internações pela doença, desde o início da pandemia de coronavírus. A cidade de Juiz de Fora vista da UFJF
Fellype Alberto/G1
A 11ª nota técnica realizada Grupo de Modelagem Epidemiológica da Covid-19, composto por pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), foi divulgada nesta quinta-feira (17) e mostrou que a microrregião de Juiz de Fora registrou mais casos e óbitos pelo coronavírus na macrorregião Sudeste desde o início da pandemia.
Segundo os pesquisadores, nesta nota foram avaliadas as distribuições temporal e espacial dos casos e óbitos confirmados e internações no Sistema Único de Saúde até o dia 12 de setembro, bem como as taxas de incidência e mortalidade da doença.
Macrorregião teve mais 2 mil internações por Covid-19
Segundo a nota técnica, no período de 5 de abril a 12 de setembro, foram registradas 2.129 internações por Covid-19 no SUS Fácil Minas Gerais na macrorregião Sudeste, de residentes na macrorregião.
Cerca de 52% dos pacientes eram maiores de 60 anos e 52,2% do sexo masculino, 18% dos pacientes morreram durante a internação neste período. As microrregiões com maior número de internações foram Juiz de Fora (37,3%), Leopoldina/Cataguases (16,1%) e Muriaé (14,1%).
De acordo com pesquisador Mário Círio Nogueira, um dos autores do documento, não se observou uma redução nas internações no setor público na macrorregião Sudeste e na maioria de suas microrregiões. “As redes regionais de saúde têm funcionado, pois a grande maioria das internações ocorreram dentro da microrregião de residência do paciente, evitando assim grandes deslocamentos”, esclarece.
O documento ressalta que um dos critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS) para que se considere a pandemia sob controle é um constante declínio no número de hospitalizações por Covid-19, tanto em leitos de enfermaria quanto de UTI por um período de 2 semanas.
Isso não foi observado para a macrorregião Sudeste e para a maioria das microrregiões. Juiz de Fora, por exemplo, teve aumento de internações por 4 semanas antes de ter pequena diminuição na última semana.
Juiz de Fora é a microrregião com maior número de casos e óbitos
A macrorregião de saúde Sudeste teve taxa de crescimento no período mais recente menor que Minas Gerais e maior que o Brasil e todos os três tiveram uma desaceleração no crescimento comparado há 3 semanas.
As microrregiões de saúde da macro Sudeste com maiores taxas de crescimento no período mais recente foram Ubá, Carangola e Santos Dumont (superior à taxa do estado).
“A maioria dos casos e óbitos continuam ocorrendo nos municípios maiores, que são polos regionais de saúde, como Juiz de Fora, Ubá, Muriaé e outros. A microrregião com maior número de casos e óbitos ainda é Juiz de Fora”, observou Nogueira.
A nota ressalta que nenhuma microrregião esteve, durante as duas últimas semanas, com o Número Reprodutivo Efetivo (Rt) abaixo de 1, que seria mais um dos critérios da OMS para considerar a epidemia controlada.
Para verificar o comportamento da pandemia nos municípios do interior, os pesquisadores agruparam em “polo” e “outros”.
Os polos são as maiores cidades, são as referências regionais para a atenção secundária e terciária do sistema de saúde. Apenas na última semana houve um aumento na proporção de casos no “interior”, o mesmo não ocorrendo com os óbitos. Tanto os casos quanto os óbitos continuam mais concentrados nas grandes cidades da região.
Grupo de Pesquisa
O grupo de modelagem epidemiológica da Covid-19, formado por pesquisadores da UFJF, utiliza dados de diversas fontes oficiais sobre a pandemia no município de Juiz de Fora e na macrorregião Sudeste de Minas Gerais.
O objetivo maior é auxiliar nos planos de contingenciamento de leitos, profissionais e equipamentos de saúde no decorrer do crescimento da infecção.